Coworking atrai novos players e promete expansão agressiva

São Paulo – Com a Lei da Terceirização, a busca por espaços mais flexíveis e a necessidade de redução de custo, o mercado imobiliário deve ter um novo boom de escritórios de coworking e até receber atenção de players internacionais. A dúvida agora é se haverá demanda suficiente para essa oferta de espaços.

Depois de ser impulsionado pela crise e o aumento do número de empreendedores, os escritórios de coworking – que abriga diversas empresas em um único ambiente – mostra que as oportunidades são inúmeras.

Segundo o diretor executivo da Gowork, Fernando Bottura, um fator que deve impulsionar o setor nos próximos anos é a Lei da Terceirização (nº 13.429), que muda as diretrizes para contratação. Se por um lado as empresas devem surgir precisarão de um espaço físico com um custo menor, por outro os autônomos devem preferir coworking por permitir maior network. “A partir do momento que você terceiriza a atividade fim da empresa, as pessoas não podem estar alocadas no local para não formar vínculo empregatício, mas no momento que você tira e coloca em um coworking a relação muda”, afirma.

Atualmente a companhia possui 1,5 mil membros e 11 escritórios em São Paulo e a meta é atrair 800 novos membros e abrir quatro novos espaços até o final do ano, entre eles um no Rio de Janeiro. “Além de aumento de 30% do faturamento”, diz.

Um fator que mostra a atratividade do segmento é a entrada da norte-americana WeWork no Brasil. O primeiro escritório da companhia será inaugurado no dia 1° de julho na Av. Paulista em São Paulo (SP). De acordo com o diretor da WeWork no Brasil, Lucas Mendes, a ideia é ter “vários” espaços até o final do ano. “Queremos estar nas principais regiões comerciais de São Paulo e até expandir para o Rio de Janeiro”, diz.

Só a primeira unidade da companhia terá espaço para 800 pessoas. “O primeiro prédio será dividido em duas etapas, na primeira serão 400 vendidos. A demanda é muito maior do que imaginávamos”, coloca. Segundo Mendes, o principal fator que deve impulsionar a busca por espaço entre as empresas é o comportamento do funcionário. “Acreditamos que o futuro do trabalho pede ambientes de colaboração, interação e espaços informais. Já vemos várias empresas fazendo isso internamente”, comenta.

Além disso, ele destaca que veio com uma proposta diferente: a entrada a uma comunidade de milhares de pessoas no mundo com quem compartilhar experiência e pedir recomendação, além de poder usufruir de unidades espalhadas em 15 países.

Impacto da crise

Na opinião do diretor de negócios da Buildings, Fernando Didziakas, a crise econômica tem ajudado o nicho, uma vez que em um ambiente econômico incerto, as companhias podem continuar expandindo com escritórios mais flexíveis e contratos mais simples. “Além disso, o custo de entrada é baixo, por não exigir reforma.”

A preocupação agora, segundo Didziakas, é ver o quanto o mercado vai conseguir absorver dos novos lançamentos. Para ele, enquanto as grandes estão em um momento de consolidação, as pequenas devem amadurecer seus planos de negócios. “Para discutir tendências [como a entrada das construtoras no nicho ou segmentação], primeiro precisamos ver como a demanda vai reagir à oferta. Acredito que os grandes [playeres] devem ter planos de negócios mais claros, mas a dúvida é como esses coworkings nacionais menores vão reagir nos próximos meses”, antecipa.

Segmentação

Um modelo diferente, mas que também tem dado certo é o da Construtora Plano Forte que lançou um escritório de coworking em Curitiba (PR) focado em profissionais da área de arquitetura e construção civil. O espaço, com um ano de funcionamento, está equipado com showroom de revestimentos e outros materiais para especificação de projetos arquitetônicos e de interiores. Segundo a sócia-proprietária do Coworking Plano Forte, Carla Boabaid, além de reverter em novos negócios para a construtora Plano Forte, também tem sido procurado por profissionais da área para gerar negócios. “Desde que abrimos conseguimos aumentar o faturamento em 20%”, conta. De acordo com ela, segmentar permite que parceiros, fornecedores e profissionais consigam expor seu trabalho. “Às vezes um engenheiro está em reunião com um cliente e precisa da opinião de um eletricista e acaba chamando alguém do coworking”, conta.

O foco da empresa é abrir pelo menos outro espaço até dezembro. “Já estamos estudando em Santa Catarina e outra região de Curitiba. Além disso, podemos ter pontos de negócios (espaços menores) em parceiros de outros locais”, conclui.

Texto: Vivian Ito

Fonte: Diário Comércio, Indústria & Serviços.

techd

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